Dr. Glauco Piassi — Cardiologista

Obesidade

Tirzepatida: o que saber antes de iniciar o tratamento

Aprovada para diabetes tipo 2 e hoje também usada no tratamento da obesidade: como age, para quem é indicada e por que o acompanhamento é indispensável.

A tirzepatida ganhou espaço nas conversas sobre saúde por um motivo importante: além do diabetes tipo 2, hoje ela também é utilizada no tratamento da obesidade. Com tanta informação circulando, é natural surgirem dúvidas sobre como o medicamento funciona, para quem é indicado e quais cuidados o tratamento exige.

O que é a tirzepatida

A tirzepatida é um medicamento injetável aprovado pela Anvisa que atua sobre dois hormônios produzidos no intestino, o GIP e o GLP-1. Esses hormônios participam da regulação do apetite, da sensação de saciedade e do controle da glicose no sangue.

A aplicação é feita por via subcutânea, uma vez por semana. A dose costuma ser iniciada em nível baixo e aumentada de forma gradual, conforme a orientação médica e a tolerância de cada paciente.

Do diabetes ao tratamento da obesidade

A tirzepatida foi aprovada inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2. Com os resultados observados nos estudos clínicos sobre a redução de peso, a Anvisa aprovou em 2025 uma nova indicação, e hoje o medicamento também é utilizado no tratamento da obesidade e do sobrepeso.

Essa mudança reforça algo importante: a obesidade é uma doença crônica, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, e merece tratamento médico como qualquer outra condição de saúde, e não apenas conselhos para "fechar a boca".

Para quem pode ser indicada

Atualmente, a tirzepatida pode ser indicada para adultos com obesidade (IMC a partir de 30) ou com sobrepeso (IMC a partir de 27) associado a pelo menos uma condição relacionada ao peso, como pressão alta, pré-diabetes, colesterol alterado ou apneia do sono, além de pessoas com diabetes tipo 2. Mas a indicação nunca é automática: ela depende de uma avaliação clínica individual, que considera:

  • Histórico de saúde pessoal e familiar

  • Exames laboratoriais e perfil metabólico

  • Pressão arterial e fatores de risco cardiovascular

  • Outros medicamentos em uso

  • Tentativas anteriores de tratamento e objetivos do paciente

Cuidados e efeitos colaterais

Os efeitos mais comuns são gastrointestinais, como enjoo, diarreia, prisão de ventre, vômitos e desconforto abdominal, principalmente no início do tratamento e nos aumentos de dose. Na maioria das vezes, eles podem ser manejados com ajustes orientados pelo médico.

Existem também situações em que o uso não é recomendado, como gestação e histórico pessoal ou familiar de alguns tipos de tumor de tireoide. Por isso, a avaliação antes de iniciar e o acompanhamento durante o tratamento são indispensáveis.

A tirzepatida é um medicamento de uso sob prescrição. Não utilize por conta própria nem adquira de fontes não regulamentadas.

O medicamento não substitui os hábitos

Os melhores resultados acontecem quando o tratamento é associado a mudanças na alimentação, prática de atividade física, cuidado com o sono e acompanhamento regular. O objetivo não é apenas reduzir o peso, mas melhorar indicadores de saúde, diminuir riscos e construir resultados que possam ser mantidos ao longo do tempo.

A importância do acompanhamento

Durante o tratamento, as consultas de retorno permitem avaliar a resposta ao medicamento, ajustar a dose, observar possíveis efeitos colaterais e acompanhar pressão arterial, glicemia, colesterol e outros marcadores. Também é nesse acompanhamento que se planeja a continuidade do cuidado a longo prazo.

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